Passando para divulgar uma peça que me interessou assistir. Ela se chama "a minha primeira vez" e tem como objetivo falar sobre a iniciação sexual das pessoas, focando no humor. Abaixo, a critica, local e horário da peça para que interessados possam assistir.
A Minha Primeira Vez
Como nas versões internacionais, foi criado o sitewww.aminhaprimeiravez.com.br que, até a estréia da produção, contabilizou mais de mil depoimentos reais e ousados de internautas – a facilidade com que as pessoas se expõem hoje em dia acabou servindo para turbinar a dramaturgia. Em cena, os melhores trechos do texto original e algumas das histórias postadas rechearam a encenação. Além disso, antes de cada sessão, o espectador que quiser preenche um questionário sobre sua iniciação sexual. Tabuladas no bastidor, as informações mais interessantes – e indiscretas - são aproveitadas em esquetes inseridos ao longo da ação. Tudo conspira para a eficiência da montagem, que também se vale do recurso de vídeos veiculados no fundo do palco, com ocasionais projeções de estatísticas ou cotações engraçadas sobre o tema.
Estruturado em cenas curtas e ágeis desenhadas para não resvalar no tédio, tramas desfiadas quase sempre em primeira pessoa e transições instantâneas entre elas, o espetáculo equilibra porções de romantismo, drama, emoção e humor. Move-se embalado por histórias saborosas, como a do último garoto virgem da turma e do casal de namorados flagrado no elevador pelo porteiro, dolorosas, exemplo da menina vítima de violência sexual, ou surpreendentes, caso da garota da cidade grande encantada pelo filho do caseiro da fazenda. Um dos momentos mais comoventes é o relato da adolescente que tira a virgindade do irmão condenado por doença terminal.
A inventiva cenografia, concebida por Osvaldo Gonçalves, é tão simples quanto funcional. Módulos brancos se transformam em uma cama, arbusto ou carro. Os figurinos, de Luciano Ferrari, reproduzem o estilo descontraído de se vestir da juventude. Isser Korik, que também assina a boa iluminação, potencializa a interação, suave e natural, entre o público e os atores. Mesmo desigual, o elenco tem o perfil adequado para interpretar os diversos personagens do texto e revela congruência com a proposta assumidamente despretensiosa da encenação. Todos estão muito espontâneos em seus papéis e na composição dos tipos, com destaque para a versatilidade de Ian Soffredini e Gabriella Vergani. Nesta peça, além de pungente, desajeitado e desprendido, sexo proporciona situações afáveis.




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